Não se conhece ninguém, nem se é conhecido, pois só se é real sozinho. É sozinho que você usa os shorts rasgados, anda nu em casa, grita consigo mesmo, se olha no espelho, faz careta, canta com a escova de cabelo, chora no travesseiro, bate a cabeça na parede, fala consigo - e fala mesmo, às vezes grita. É sozinho que se deita na cama sem lavar os pés, que não se importa em arrumar o cabelo, a cara, a vergonha. É sozinho que se passa cremes na cara, que não se importa se há algo aparecendo, que se prende o cabelo e se joga no chão. É sozinho que se canta no banheiro, que se dança no quarto, que se lê, que se escuta músicas, que se pensa. E é sozinho que as tristezas mais sutis, as que enchem o peito em dias conturbados, escorrem em lágrimas, sem culpa. É sozinho que você chora sem se importar com mais nada, ajoelha-se no chão, irrompe em dor, e se purifica. E é sozinho que se é real.
Não, ninguém te conhece - e você não conhece a ninguém.
Amanda F.
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