quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Time machine girl.

Hoje decidi que vou deixar você me conhecer. Que vou ficar sabendo sobre você sem a sua permissão. Que vou ser transparente. Vou deixar que perceba como sou complicada e azeda, e como sou simples e doce. Mostrar meus defeitos, nos provar humanas. Sim, porque somos parecidas. Engraçado o não-amor me fazer querer conhecer você. O que aprendi, quero mostrar. O que sei, quero ensinar. Não sei, há algo em mim que tem pressa, mas, por alguma razão, esse algo em mim encontrou uma calma agora que a conheço. Acontece que eu sei que tenho tanto a aprender com você! É por ver muito de mim em você que quero permití-la ver o futuro, para, em troca, corrigir um pouco o passado.


Amanda F.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Misantropa quimera.

Há uma criatura em mim que é triste. Ela simplesmente existe e me habita.
Parece-me antiga, arrastada. Parece-me externa a mim, mas ao mesmo tempo tão intrínseca a quem sou.
Vez ou outra, minha quimera vence e me engole. Outras vezes mais, faço-a me vomitar e corro em direção à qualquer indício de vento que me faça feliz.
Mas ela nunca me deixa ir embora por completo.
Ela nunca deixa de ficar mais um pouquinho.


Amanda F.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A regra mais inconteste do Universo.


Não te preocupa, garota: A vida segue. E ela te leva junto, mesmo que pares.

Amanda F.

Olhos de água.

Era tarde da madrugada, ou cedo da manhã. Não sabia dizer ao certo. Saiu do banho e abandonou a toalha. Estava diante do espelho da forma como se pôs diante do mundo, assim que nasceu - lua. Sim, lua. As formas ditando o prateado romântico e distante, que orbita o mesmo planeta há tempo demais; as curvas ditando as faces internas, jamais lineares. Não a importava a forma - ela sabia que era nua o que muitos não são vestidos (havia escrito algo a respeito, aliás, em algum de seus cadernos escondidos, de capa monocromática, onde mantinha os textos longe de outros mundos). Não interessava. Nem o cabelo encharcado do banho, pingando gotas lentas sobre a costa, nem os braços caídos, nem as formas de lua. Não a importava. Diante do espelho, fitava os olhos.
Por um instante, parecia não ter notado os próprios olhos há séculos. Eram grandes, escuros; tinham os cílios irregulares, longos, curvados - como as faces internas, como o quadro todo. Não havia notado - eram doces, cansados. Fitou os próprios olhos tempo demais, de modo a enxergá-los. Sorriu. Pensou em como era só - na mania misantropa de ser só. Com olhos sós. Parou de sorrir. Eram olhos de água, tão densos, profundos, transbordantes - transbordavam um medo engraçado.
Fechou os olhos. Escondeu os oceanos. Tinha medo de formar uma expedição e se perder neles...

Medo de jamais encontrar alguém disposto a mergulhar.


Amanda F.