O que você não sabe sobre mim é o que libero no escuro, com a música alta estourando tímpanos. São as músicas em que transo com os versos. É o que pulsa nas veias e percorre cada parte do corpo. É o que se traveste do que você conhece.
O que você não sabe sobre mim possui quimeras que você não seria capaz de domar, e explosões que você não seria capaz de conter. E insânia, e volúpia, e vícios, e luxúria. Supernovas e delírios incontáveis.
O que você não sabe sobre mim nunca lhe será disposto nu, no tabuleiro. É o que faz de mim singela, desconhecida. É a vontade de despir, de saber, de procurar, é o que me fortifica.
Não serei nunca uma criatura óbvia demais. Aos poucos, talvez, a personalidade possa ser retirada, tudo que é casual possa ser repetitivo, e as palavras ditas possam ser decoradas.
Mas você nunca me terá inteira.
Apague as luzes. Deixe a luz negra cegar enquanto os corpos dançam. I bet you'll never get to know me.
Amanda F.

