segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bet you will never get to know me.

O que você não sabe sobre mim, é o que me consolida.

O que você não sabe sobre mim é o que libero no escuro, com a música alta estourando tímpanos. São as músicas em que transo com os versos. É o que pulsa nas veias e percorre cada parte do corpo. É o que se traveste do que você conhece.
O que você não sabe sobre mim possui quimeras que você não seria capaz de domar, e explosões que você não seria capaz de conter. E insânia, e volúpia, e vícios, e luxúria. Supernovas e delírios incontáveis.
O que você não sabe sobre mim nunca lhe será disposto nu, no tabuleiro. É o que faz de mim singela, desconhecida. É a vontade de despir, de saber, de procurar, é o que me fortifica.
Não serei nunca uma criatura óbvia demais. Aos poucos, talvez, a personalidade possa ser retirada, tudo que é casual possa ser repetitivo, e as palavras ditas possam ser decoradas.
Mas você nunca me terá inteira.
Apague as luzes. Deixe a luz negra cegar enquanto os corpos dançam. I bet you'll never get to know me.

Amanda F.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eu sou.

Trivialidades não me atraem. Risos não me regozijam. Pessoas não me são lúdicas. Não gosto do gosto, desgosto do descontentamento, detesto o conformismo. O popular é escaganifobético, a opinião pobre é indesejável, o debate sem argumentos é impossível. Sou uma pessoa fraca de personalidade forte. Ame-me desde o começo, ou deixe-me, porque não mudo, não tenho etiqueta de troca, e sou perecível. Não espere que eu me molde a seus moldes, ou que eu fale o que quer ouvir. Não sou fabricável, não sirvo ao polimento, não tenho preço. Ame-me desde sempre, ou deixe-me para sempre - sem recomeços, sem perdas, sem voltas, sem dramas, sem um gota de você em mim.

Amanda H. Ferreira

Pequena epifania.

O máximo que pode acontecer é você entregar seu coração a alguém.


Sem bandeijas de prata,
sem rodeios, sem fantasias.
Com as mãos, com a alma.
Assim, doce.
E morrer...
morrer vem depois, bem depois.



Amanda F.