
Eu amo não ter a necessidade de provar nada a alguém, ter o pensamento elevado, devorar filosofia, gostar dos detalhes, notar os relances, desenhar mapas das pessoas; ouvir música e dançar sozinha. Amo essa liberdade de ter uma sede voraz de quase nada, de querer engolir o mar, de ser tão eu sob palavras - de não ser uma criatura óbvia, e ao mesmo tempo ser tão simples.
Eu amo ouvir histórias, ter paixão pelas coisas, explodir-me às terças-feiras banais, ser tão incodificável, não tomar nunca um aspecto linear, e sempre pressionar as páginas com linhas e expressões redondas, complexas, multiformes; conhecer lugares, provar novos sabores - amo ainda mais se esse lugar novo for o coração de alguém.
Eu amo a arte - todas as artes; tudo que se torna expressão. E a ciência, o conhecimento, as estrelas, os paradigmas, o Sol, a dinâmica do Universo, as leis da natureza; a visão científica, real e tangível das coisas (embora fatalmente romântica, admitidamente sentimental e dotada de uma necessidade quase física de ajudar e cuidar dos demais).
Eu amo a sabedoria! Quero devorar o conhecimento, viver cada dia como se fosse o primeiro, e não o último. Que bobagem viver o último! Eu sou adepta do fascínio infantil de amar o começo, desenhar cada traço com as pontas dos dedos, e possuir um amor cego pelas perguntas.
Eu amo viajar, transcender a mim - não encontrar, jamais encontrar, em minha própria carne um limite ao mundo exterior - eu sou infinito pele adentro, e mundo afora.
Eu amo ser diferente de muita gente - e isso nunca me fez, ou fará, melhor do que ninguém. Apenas me fez ter o que de melhor poderia pedir a mim:
o prazer de vestir tão bem a própria pele.
Amanda F.