sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mudança.

Estava exausta da mesma face no blog, mudei.
Hoje muito mudou.
Pequenas coisas feitas que mudaram muito.
Um amor que sobreviveu.
Um sorriso amigo.
Uma saudade avassaladora.
E a frase: "fica comigo".
Sinto falta do meu amor, nesta distância louca.
O dia foi corrido demais pra continuar na mesmisse.
Simplesmente, resolvi mudar.
Como diria Clarice Lispector:
"Eu serei sempre eu mesma, mas não serei a mesma pra sempre"

Fica Comigo

Eu quero um amor assim:
ser, estar e viver uma grande amizade,
que de tão grande, se torna uma cumplicidade,
e por haver cumplicidade, se respeita,
se busca, se deseja, se ama...

Quero um amor assim, talvez como você,
que busca viver além das aparências,
um grande caso de amor,
que seja mais do que chama,
que seja uma fogueira amiga que indica direção,
como farol no caminho da vida, as vezes tão escuro,
que seja uma fogueira perene,
onde cada um coloque sempre um graveto,
mantendo sempre acesa a nossa paixão.

Quero um amor de rosto colado, de mãos dadas ao entardecer,
de telefonemas inesperados, de corpos suados,
de entrega e paixão,
de conte comigo, de estou aqui
de muitas palavras, mesmo que em silêncio.
Quero um amor assim,
com o teu jeito, com teu sorriso,
sem o medo do passado e despreocupado do futuro.
Sabe de uma coisa?
Você é o meu número,
tem a exata medida da minha paixão,
esta noite eu te convido:
fica comigo...

(Paulo Roberto Gaefke)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Necessidade de escrever nada.

Escuta músicas melancólicas, poesias d'alma vazia.
Os pés contorcem-se no chão frio.
A chuva que não vem, levaria a dor do peito, os olhos acompanhariam a prataria das gotas, os olhos fariam gotas de prata que escorreriam pela face.
E a saudade daquela presença, o vazio que perturba.
Não sabe o sentimento, mas chamam-no de tristeza.
Acorda de noite e espera clarear, só por esperar, só por não ter escolha.
Aquela que anda por ruas fazias, só por andar, só por pensar.
Espera, em vão, que o vento leve a resposta e a chuva lave a alma.
Sonha, sonhos surreais, só para fugir do real, que é tão surreal quanto.
Confunde.
Necessita de algo, mas continua no nada.
Aquela que sonha em sentar no telhado, olhar as estrelas, só por olhar.
Não resolve a vida, mas também não o deseja.
Deseja algo, não sabe o que.
Enquanto não sabe tem necessidade de nada.
Não é triste, mas não é feliz.
O vazio que perturba.
Quem nunca o sentiu?
Nada mais triste do que não saber o que trás o sentimento, ou a falta dele.
Apenas, nada.
Necessidade de nada.
Alma vazia.
Sorriso congelado.
Frases perdidas.
Pára no meio do nada, tentando achar o que pensar.
Congela.
Apenas, nada.


Tinha apenas essa necessidade de escrever o que sente.
Sabendo que de nada adiantaria, mas necessitava.
Ninguém entenderia, a mesma não entenderia, mas tinha a necessidade.
Necessidade de escrever nada.



"Só eu sei da minha tristeza...
Só eu sei da minha dor...
Só eu sei da minha verdade...
Que não se esconde, para agradar ninguém...
Só eu sei da dificuldade que é caminhar...
Depois de cair de um lugar tão alto...
E mesmo sangrando por dentro, resistir...
Só eu sei como dói lembrar...
Do que poderia ter sido e talvez não será...
Só eu sei a força que tenho que fazer para de novo levantar...
Só eu sei...
Só eu e mais ninguém..."
Nilza Rodrigues

Imagem: Tim Walker.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Saudades.

Estava a admirar a solidão. Estava a recordar-me momentos mágicos de minha vida. Sempre as mesmas pessoas, os mesmos sorrisos. Percebi o erro. O maior de todos que pudera cometer. A deixei sozinha. A deixei.

Estava tão mergulhada em meus interesses, em meu egoísmo, imaginando coisas que poderia fazer a bel prazer, e não a notei. Ela sempre esteve lá, ela sempre esteve em minhas lembranças.

Achando que ela poderia notar num gesto o quanto a amava, o quanto sua presença era importante para mim. Não perceberia, como era ingênua. Havia tanto o que falar, mas essas conversas contiveram-se em nossos olhares. As discursões estouravam-se em nosso silêncio. E sua expressão, sempre era a mesma. Quem imaginaria?

Agora, com os pés descalsos, apreciando o céu, sonhando acordada, devaneando, imaginei o quanto seu sorriso era importante. Vi-o no contorno das nuvens. Seu sorriso, aquele que fazia-me sorrir, tão boba, em um gesto automático e de um jeito lerdo, era o melhor, o mais real.

No momento seguinte, voei para o presente. Lá estava ela. Sorrindo do mesmo jeito, mas ao seu lado não era eu. Ao seu lado havia outra sombra. Ela achou outro aconchego. Em que errei, era o que eu estava pensando. Imagine você, todos os sonhos pareciam ter-se ido. Mas o erro era o de menos. O problema maior foi o que eu não fizera. Um sorriso naquele momento, três simples palavras importantes. Por aquilo que não fiz, teria os mais importantes momentos. Mas não o tive.

Não adianta chorar agora, mas meus olhos não escutam-me. Não lamentar o que não foi feito me era impossível naquele momento. E eu chorei, nem ao menos me envoergonhei disso.

Mas sinto sua falta. Eu perdi aqueles momentos, mas nem um dia a mais. Vou falar-te o que se passava em meus olhos naqueles tempos, que o obscuro dos seus não conseguiu captar. Direi-te com toda a notoriedade que essas palavras possuem, o que se passa em minha mente o tempo todo. Coisas simples, mas as mais importantes. Direi-te que te amo. E mais importante: Sinto sua falta, sempre senti.




A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Foto: Rodney Smith