Às vezes, tenho essas sensações de meio cheio, meio vazio. De quase bom, de quase nada. De meia alma, de meio corpo, de estar cheia, a ponto de estar vazia. Essa sensação de estar caindo, ou estar voando. A sensação do estômago borbulhando e do peito pesado. A sensação das coisas antigas, de ver a lua, de silêncio, de andar na rua, de ver as ondas. O gostinho de ir dormir e desativar o despertador, porque o mundo pode esperar você amanhã. Aquela sensação de tudo bem, meio certo, meio incompleto, meio explodido, meio contido. Todas as sensações em equilíbrio. Um tanto faz, um tudo bem. Aquela sensação de que nada importa. É aquela sensação do bigode de leite, do último raio de sol, do vento na face, da folha caindo, da onda que quebra - é aquela sensação de liberdade, de se importar com nada; sem excessos e sem pesares, prendendo a alma que meio voa, que quase escapa.
Amanda F.
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