Te cura primeiro, garota. Te cuida e te aconchega em quem tu és, te anima e te aninha na tua alma de águia. Te fecha as feridas, uma a uma, com band-aids coloridos, com o novo merthiolate - que já nem ele arde mais. Põe tua voz lá fora, ao som do vento, e deixa que ele leve os pensamentos ruins que engolias garganta abaixo. Rasga, garota. Rasga todas as cartas que não foram escritas e que se acumulam na tua mente, e te sente, pela primeira vez, vazia. Te esquece do mundo inteiro, te faz fênix recém-nascida. Te cobre, menina, te protege dos preconceitos dos outros, daquelas ideias todas pobres, e deixa que elas se matem, uma a uma, porta afora. Te deita no teu sofá de sonhos, te livra das dores de cabeça, te perde da loucura diária. Te adormece no colo sem horas, encolhida do Universo que gira lá fora. Mas te cura primeiro, garota, que tua tristeza não paga conta, não te acalma, não te recria - que tua tristeza te renuncia, todos os dias, de ti.
Amanda F.