terça-feira, 20 de novembro de 2012

Conturbados sentidos.


Vai haver alguém, um dia, que sinta por mim a conturbação que eu sinto, eventualmente, por você. Feito maresia. Desfaço-me toda em água, construo-me toda instável, por você. Faz sentido? Tenho ciúme de passados presentes, de presentes que almejam futuros e de futuros sem mim. Tenho uma inquietação insana na qual navegam minhas artérias, músculos, veias, pensamentos, órgãos e devaneios. Faz sentido? Minha quimera misantropa mergulha nela. Rasga-me inteira por você. Meu exterior sucumbe aos olhares alheios e o nosso sofá-de-nós-dois abre espaço pra uma, duas, três, centenas de infinitas pessoas. Faz sentido? Irrompem-se poréns, mas, porquês, comos, enfins, entretantos, nos risos lúdicos de nós dois.
Não.
A gente não faz sentido, amor.
A gente faz sentir.

Amanda F.

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