
Escuta músicas melancólicas, poesias d'alma vazia.
Os pés contorcem-se no chão frio.
A chuva que não vem, levaria a dor do peito, os olhos acompanhariam a prataria das gotas, os olhos fariam gotas de prata que escorreriam pela face.
E a saudade daquela presença, o vazio que perturba.
Não sabe o sentimento, mas chamam-no de tristeza.
Acorda de noite e espera clarear, só por esperar, só por não ter escolha.
Aquela que anda por ruas fazias, só por andar, só por pensar.
Espera, em vão, que o vento leve a resposta e a chuva lave a alma.
Sonha, sonhos surreais, só para fugir do real, que é tão surreal quanto.
Confunde.
Necessita de algo, mas continua no nada.
Aquela que sonha em sentar no telhado, olhar as estrelas, só por olhar.
Não resolve a vida, mas também não o deseja.
Deseja algo, não sabe o que.
Enquanto não sabe tem necessidade de nada.
Não é triste, mas não é feliz.
O vazio que perturba.
Quem nunca o sentiu?
Nada mais triste do que não saber o que trás o sentimento, ou a falta dele.
Apenas, nada.
Necessidade de nada.
Alma vazia.
Sorriso congelado.
Frases perdidas.
Pára no meio do nada, tentando achar o que pensar.
Congela.
Apenas, nada.
Tinha apenas essa necessidade de escrever o que sente.
Sabendo que de nada adiantaria, mas necessitava.
Ninguém entenderia, a mesma não entenderia, mas tinha a necessidade.
Necessidade de escrever nada.
"Só eu sei da minha tristeza...
Só eu sei da minha dor...
Só eu sei da minha verdade...
Que não se esconde, para agradar ninguém...
Só eu sei da dificuldade que é caminhar...
Depois de cair de um lugar tão alto...
E mesmo sangrando por dentro, resistir...
Só eu sei como dói lembrar...
Do que poderia ter sido e talvez não será...
Só eu sei a força que tenho que fazer para de novo levantar...
Só eu sei...
Só eu e mais ninguém..."
Nilza RodriguesImagem:
Tim Walker.