Maluquices à parte, acredito cada dia mais em minha loucura. Poético, doutor? A cada dia que passa, noto cada vez mais perguntas em meus textos. Revejo e releio a mim mesma em incontáveis páginas. Noto que meu porto-seguro foi sempre só porto, jamais seguro, e que meu chão foi todo estranhamente construído em ar. Outro dia, veja bem, vi passar a sombra de alguém que poderia ter sido qualquer um, e me perguntei porque o deixei ser quem foi para mim, agora que me é tão indiferente. A cada dia que passa, questiono-me cada vez mais, ponho à prova minha própria tese. Minha insânia, melancolia, neurastenia - minha loucura toda me tem, agora, por início, meio e fim. Dessa vez, preste atenção, eu estou em plena análise de mim mesma! E nunca está - ou estará, estou certa? - suficientemente bom. Ah, mania maldita de perfeição. Percebe? Encontro prisões na maquiagem que esconde o real do rosto, nos sinais vermelhos dos semáforos, nos bilhetes de estacionamento do shopping. Encontro catracas em meus próprios textos. Faz sentido? Ando me perguntando muito isso, ultimamente. Que será, doutor? Que será que se encontra dentro de mim que sorri tão voraz enquanto digo tudo isso? Que será que rasga? Porque jamais os versos do garoto que ia mudar o mundo me soaram tão vívidos, meu caro. Estou aqui agora, vê? E também estou aqui pra pagar a conta, doutor - estou aqui pra nunca mais ter que saber quem eu sou.
Amanda F.
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais ter que saber que eu sou!
Ah, saber quem eu sou...
(Cazuza)








