segunda-feira, 26 de março de 2012

De carne e osso.

Eu não conheço o ideal de amor, garoto. Na verdade, não me interessa, nem sequer interessou. Não me atrai a utopia de Romeu e Julieta: eles jamais provaram a companhia um do outro em noites de verão, nem sequer passaram por uma briga típica dos casais mais apaixonados e explosivos. Eles não conheceram as manias um do outro, os defeitos, os detalhes, as curvas do corpo. Não os invejo, não tenho compaixão alguma por eles.
Não sou platônica, garoto, eu sou mulher. 
Portanto, não me venha com as mesmas coisas de sempre, garoto, por achar que sou doce, boba, ingênua. Confie em mim: até mesmo as mais vadias possuem as vestes das santas, no armário da fantasia. Não me diz que faria tudo por mim, vou enjoar de você nas primeiras 24 horas. Não vem dizer o que acha que quero ouvir - vou rir de você quando não estiver ouvindo, divertir-me em espasmos involuntários quando virar de costas.
Eu gosto mesmo é do contrário.
Não me descasque - sou dura. Não me interprete - sou torpe. Deixe-me ser todinha minha, e não sua, porque a sua maior conquista vai ser quando eu, em uma tarde banal qualquer, olhá-lo nos olhos e descobrir que eu já me perdi de mim faz tempo, e nem dei por falta, nem fiz queixa de sequestro, nem ficha de desaparecimento na polícia.
Não ache que me conhece, vou querer desafiá-lo, e, acredite, vou ganhar. Ache graça das coisas simples, ache graça de mim, e, principalmente, ache graça comigo. Não costumo dar gargalhadas boas ou sorrisos bobos a não ser que seja real, e a realidade, garoto, é muito mais atraente do que qualquer ideal de corpo.
Ah, e por favor, cortesias me cansam, e cantadas vão me fazer querer ridicularizar você. Seja você, seja teimoso, seja tonto, seja errado. Perfeição me dá nos nervos, garoto, e o ceticismo vai me forçar a zombar da sua pompa, assim que julgar me ter nas mãos.
Então, garoto, não gaste nosso tempo. Olhe pra mim. Aprende a ser cafajeste do jeito certo. Jamais vou levá-lo a sério, e você, por favor, leve-me à toa. Assim, aos poucos, numa boa, a gente pode, quem sabe, descobrir o que é amar?

Amanda F.

sábado, 24 de março de 2012

Dois.


 "(...) liberdade é, simplesmente, permitir estar aprisionado a outro alguém." 
Thiago Guizilini 

Flamma.


Abraça-me. Aquece-me. Faça-nos queimar. Cada veia, cada pulso, cada gota de sangue que nos atrasa - queime tudo, renasça. É pelo fogo que a natureza se renova, é pelo corpo que nos faremos fênix. Não se extinga no calor humano: traga a chama, traga as supernovas, exploda o Sol em mim feito chuva tórrida em tarde quente. Seja eterno, seja incandescência - cubra cada milímetro do meu corpo em chama, que é na iminência do fogo que vamos nos encontrar. E abraça-me - abrasa-me.

Amanda F.

domingo, 18 de março de 2012

Alquimista.


Já não aguentava mais. Há tanto não aguentava mais aquela prisão constante.
Alquimista libertina, sedenta por ar e sonhos.
"Há de haver um jeito!", gritava aos bêbados, aventureiros, viajantes. "Um portal, um elixir, uma chave. Talvez um caminho perdido...
Há de haver um jeito de sair de dentro de mim."

Amanda F.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Paradoxal.


Todos somos paradoxos,  
buscando o porquê da existência, 
quando a nossa real tendência 
é a nulidade.

Amanda F.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mentirosa.

Sou escritora, e, portanto, mentirosa. 
Mentirosa porque sou artista, mentirosa porque crio, mentirosa porque, simples e francamente, minto. 
Minto porque não há fronteiras na minha arte, porque as palavras não possuem pontos finais, porque despersonalizo, fantasio, crio - minto mil quimeras misantropas, mil fantasias inventadas, mil e uma noites de utopia, e mil e uma faces que não visto.
Sou escritora, e, portanto, não minto idade, não minto caráter, não minto opinião. Minto realidade. Teço-a da forma que quiser ver, da forma que quiser ser lida, e da forma que quiser ver despida.
Minto porque faço da sua realidade a minha mentira.
Minto descaradamente quem sou somente fora das palavras, fora do papel - fora das letras, canetas, e folhas rabiscadas. Minto quem sou apenas quando não escrevo, porque o que sou é um jogo de palavras andante; fantásticas palavras pulsantes que visto ao me fantasiar.
Sou escritora, e, portanto, minha única verdade é também minha maior mentira.


Amanda F.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Instantânea.

Serei sempre dessas garotas que querem fazer mais do que os 365 dias de um ano podem suportar. Vou pedir de você mais do que pode me dar, vou querer acumular mais memórias do que posso formar. Neurastênica? Vulcânica. Vou pesquisar minúcias em planos cobertos de nada, vou procurar filmes que não chegaram ao cinema, vou comprar páginas e mais páginas em branco, que jamais serão escritas. Emergencial, iminente. Vou querer tudo na hora, vou gostar e desgostar em rompantes rasgantes de tempo. Vou querer trocar, sonhar, estourar em milésimos segundos. Vou matar meus próprios sonhos para reconstruir o triplo sobre os mortos, como uma fênix cancerosa. Vou sempre planejar demais, entenda. Serei sempre como o livro interrompido cuja continuação não chegou à livraria, e nem chegará. Porque vou começar o interminável e me entendiar com o finito, o tempo todo, infinitas vezes - solúvel ao ar, diluída ao tempo. Instantânea. E quando você perceber, já terei partido, antes mesmo de chegar.

Amanda F.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Como dois estranhos.


25/4/2011 22:21:22 Eu sou no mínimo tudo o que você não pediu. E tudo o que você precisa, e não sabe.

Amanda F.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fly away.

Já moldei a mim mesma incontáveis vezes a outras pessoas mais. Já me preocupei demais por listas, e fotos, e casos, e pessoas, e festas, e ficas, e fatos. Quebrei minha redoma de vidro, garota. Já não aguentava mais invejar aos pássaros. E se 2012 não for fim do mundo, querida, acredite: é o início do meu.


Amanda F.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Se for pra ser você, corre e vem ser.

"Vem alterar meus dias, vem fazer eles serem estranhamente mais curtos com a tua presença. Transforma tudo em risada, faz com que eu me sinta mais leve. Vem e bagunça tudo agora, faz eu me sentir boba por pensar em você. Não tenho a pretensão de te ter a vida inteira, só deveríamos ser nós agora. O amanhã é tão incerto. Mas acalma, o amanhã será o nosso agora também, o amanhã não existe! Tenho uma urgência em mim que não permite mais que a vida seja branda. Então, se for pra ser você, corre e vem ser." Tânia F.

"Se for pra ser você, corre e arrebente as portas. Quebre as janelas da minha pele, entre na minha vida, mostre que ela é sua, assim como sua sou eu, que julgava ser toda minha. Entregue a chave da minha gaiola, liberte-me, voe comigo. Se for pra ser você, não precisa chegar de cavalo branco, buquê de flores ou sorriso azul. Só me olhe, e me dê uma resposta com os olhos, se puder. Corre, e vem ser. Aliás, deixe de venha ser. Venha, e mostre que é." Amanda F.