sábado, 5 de setembro de 2009

Quem deu-lhe o direito?


Eu gostaria de saber, quem deu-lhe o direito de proferir palavras tão importantes, inoportunas ou inebriantes, que fazem meu humor oscilar tanto? Gostaria de saber, quem deu-lhe o poder de mudar meus sentimentos, influenciar meus pensamentos, e não me deixar mais viver sem você? Gostaria de saber quando entraste assim em minha vida, quando eu dei-lhe o direito de se meter em assuntos dos quais és completamente essencial, mas antes nem sequer faziam sentido? Quem deu-lhe o direito de arrancar-me a felicidade, e quem ensinou-lhe a fazer de mim a pessoa mais feliz do mundo? Queria saber, quem deu-lhe a opção de mandar em mim, de falar de mim ou de sofrer por mim, quando eu antes nunca dividiria sentimentos, e agora faço questão de tê-los assim? Gostaria de saber, quem deu-lhe o direito de entrar assim na minha vida, fazer-me desejar sua presença a cada dia, sofrer sentimentos em mutação e alguns ainda imutáveis, perder as certezas, tropeçar em sopros de ar, sentir ciúmes, calcular palavras? Gostaria de saber, quem deu-lhe o direito de me fazer amar tanto, sentir-me extasiada, fazer coisas das quais nunca fizera, e sentir o prazer de ser amada?
Gostaria de saber: quem deu-lhe o direito de me fazer amar assim?

Amanda Holanda Ferreira

domingo, 23 de agosto de 2009

Sinto-me tão leve agora...

...que tenho medo de flutuar.
Simplesmente não solte minhas mãos e deixe este medo continuar tão excepcionalmente mágico...
Pelo menos por enquanto.



Amanda H. Ferreira

terça-feira, 2 de junho de 2009

Viagem.

Meus pés estão frios, minha alma idem.
Estou tão vazia.
Gostaria de encontrar uma razão, no entanto acho várias.
Estou preocupada, estou com saudades.
Gostaria de afundar-me nessa viagem, mas insisto em continuar assim, fingindo.
Está frio lá fora e não ouso sair. Está triste aqui dentro mas não posso voltar. Ah.
Fico triste.
Existe tristeza maior do que não saber o motivo de emoções tristes?
A névoa parece cobrir meus olhos, mas infelizmente ela não o faz, ainda vejo aquela luz ao fim. Luz que esconde o que há por trás e eu não estou a fim de aventurar-me.
Andar por ruas desertas? Quem sabe.
Mas eu não iria achar você lá e ai voltaria.
Está tão frio lá fora, não quero sair.
Tenho que ir. Vou dormir e esperar que o amanhã passe mais rápido que o hoje, para os sentimentos se misturarem de novo, para que eu viaje de novo.

Amanda H. Ferreira,
para blogger "Vivendo no Espelho", em 16/06/08

Foto: Alfred Eisensaedt

Viver.


Quando a gente pensa que não há mais lugar na vida para autenticidade sempre aparece alguém novo, e você muda todos os seus conceitos.
Quando ver o pôr-do-sol parece algo sem menor notoriedade, você acorda às 5 da manhã e vê às 6 porque ainda vale a pena viver.
Quando sentar-se no balanço para brincar parece não ter graça, você experimenta apenas se embalar, e ao sentir o vento bater no rosto você entende porque está ali.
Tudo parece ser tão cansativo às vezes. No entanto, essas mesmas coisas que parecem tão banais às vezes, quando você está com bom estado de espírito, percebe que são coisas repetitivas por um motivo - são as coisas que mais apreciamos.
Como dizia Vinicius de Moraes: "Quem passou por essa vida e não viveu, pode ser mais/ Mas sabe menos do que eu".
Porque em pequenos momentos é que a gente vive. Com pequenas sensações que trazem, nada mais, nada menos, do que boas memórias e grandes alegrias.
Nada melhor que viver de tudo.

Amanda H. Ferreira,
para blogger "Vivendo no Espelho", em 11/06/2008.

Foto: Alfred Eisenstaedt

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz 2009.


_Adeus ano velho.

Mais uma vez damos adeus ao ano que se passou, e boas vindas à todas as lembranças que estão por vir em um novo ano. Essas boas vindas podem vir nas ondas do mar, ou na espuma do champanhe.
Há dois momentos marcantes na vida de todas as pessoas, dos quais todos nós passamos ou passaremos. Estes momentos chamam-se 'nascimento' e 'morte'. Alguns de nós, mal dão boas vindas ao mundo, e vão embora, gélidos e incapacitados de viver a vida. É este momento intermediário que chamamos VIDA. Ela passa tão depressa, mais rápido do que qualquer um compreenderia.
Chegamos ao mundo em um tempo médio de 8, 9 meses. Vamos embora em questão de segundos. Perdemos pessoas importantes.Choramos e sorrimos com elas, e as lembranças nos devoram no mesmo segundo em que esta pessoa nos é tirada.
Meus amigos, à vocês que compartilharam este ano comigo, digo-lhes: Obrigada. Obrigada por me deixarem fazer parte deste curto momento intermediário que chamamos vida. Obrigada por rirem e chorarem comigo. Por estarem presentes até nas mais supérfluas memórias. Obrigada por dividirem este ano que se passou comigo, um longo ano que sempre hei de recordar, mas apenas mais uma linha no tecido da vida.
Peço-lhes todos que me dêem também mais anos de sua companhia. Que compartilhem sorrisos e lágrimas comigo. Memórias e tantas lembranças, que vocês já deixaram tatuadas aqui, no meu coração. A morte é apenas uma mera passagem. E no momento do 'adeus', mesmo assim, sussurarei à vocês: 'Obrigada', porque esse pedacinho de cada uma de suas vidas ficaram guardadas aqui comigo, no meu coração, na minha alma. Pra sempre. Vocês já fazem parte da minha vida.
Em 2009, desejo à todos: felicidade, amor e paz. Desejo que possam se deliciar com os bons momentos que a vida nos trará. Que sejam felizes, e que acima de tudo: continuem sendo essas pessoas maravilhosas de que tanto amo, por muitos e muitos anos, e deixem-me fazer parte de suas memórias.
Lembrem-se: Não é porque 2008 se foi que tudo o que ocorreu nele também se fora. Nossas recordações e as pessoas que amamos neste ano continuam conosco, seja onde estiverem.
Desejo que este ano possa ser ainda melhor do que o ano que se passou.
Estes são meus sinceros votos de revéillon para todos.

_Feliz ano novo. Feliz novo começo.


Amanda H. Ferreira; 1/1/2009 às 4:49.




In memorium of:
Natalina Menezes.
. (A verdade é que ela nunca se fora).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Simplória Solidão.


O vento bate em meu cabelo. O Sol brilha por detrás das folhas, que dançam ao ritmo do vento. Ouço sorrisos ao longe. Também ouço vozes. O silêncio que me enche, esvazia-me a alma. Tudo parece tão calmo.
Os passáros cantam a sua eterna melodia. O pintor está a pintar, na provisória monotonia. Está tudo tão vazio.
Os carros passam ralando pneus no asfalto antigo. As buzinas apressadas, e o vai-e-vem misantrópico das pessoas nas ruas, a maioria delas andando à nora, ou apressadas com diversas atividades a serem cumpridas. Estou demasiada só.
As pessoas estão passando com seus problemas em mente. O olhar vago, nem sequer percebem seus rostos descontentes, ou que as observo de soslaio. Eu sinto apenas a presença do papel e da caneta, ao meu redor.
O vento bate de repente.
Que tarde gris!
Não há sentimento, há só...gente.
.
.
.
(Por favor, chegue logo)
Amanda H. Ferreira

sábado, 13 de dezembro de 2008

Até que a eternidade nos separe.



Desde sempre, somos nós: assim, amigas inseparáveis. Como somos imperfeitas, brigamos e choramos. Até mesmo, nos estapeamos. Mas estava sempre implícito em cada frase, a cada olhar: morreríamos umas pelas outras.
Não somos irmãs de sangue, é claro, mas isso não quer dizer que não possamos ser irmãs, e como tal, brigaremos, sorriremos e estaremos sempre juntas.Víamos sempre a vida da nossa maneira, e continuamos a vê-la, mas não do mesmo jeito. Aceitamos nossas mudanças, sem medo, pois temos tantas memórias unidas, que já não importa. Simplesmente não importa o que aconteça, aqueles momentos nunca deixarão a amizade evanescer, mesmo que venha o tempo e novas lembranças.
Não podemos dizer que não existe o medo. Eu pelo menos, tenho medo de perdê-las, pois há tantos outros sorrisos amigos ao redor de todas. Há pouco, soube que, mesmo que haja centenas de sorrisos amigos ao redor, isso não quer dizer que eu não seja um deles. E juntas, temos o sorriso mais ofuscante, o mais verdadeiro e puro de todas as amizades.
Nós sobrevivemos ao tempo. Sim, juntas sobrevivemos ao tempo, às mudanças e às pessoas. A cada pessoa, a cada queda, eu notava que elas já eram importantes demais para se esquecer, e esquecer seria para mim impossível. As tenho na memória a cada aniversário, desde que me recordo.
Já não precisamos ouvir declarações de amor, pois é notável que ele é grande demais para uma simples declaração. Grande demais para um reles texto.
A nossa amizade já oscilou, é verdade, mas nunca acabou. A cada queda, mesmo quando parecia-me impossível, levantamo-nos, e em seguida nossa amizade era a mesma, inabalável novamente, nós é que mudamos.
Nossos sorrisos nas festinhas arranjadas, nossas lágrimas nas nossas brigas bobas, nossas idiotices sempre que possível, nossas invenções nos dias mais loucos. Tudo isso, mesmo que a mente esqueça, o coração nunca deixará sumir.
Vocês duas, já são moradoras deste órgão aqui no peito esquerdo há tanto tempo, que nunca mais sairão, nem que queiram, pois enquanto eu respirar, vocês estarão batendo dentro dele.
E eu digo, com a maior certeza do mundo: que venham as chuvas do verão, os ventos do inverno, e os trovões das maiores tempestades. Estaremos sempre juntas, inseparáveis. E estaremos para sempre juntas, até que a eternidade nos separe.

Amanda H. Ferreira.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Rosas da Estação.


Pude presenciá-la, a mais bela flor entre todas.
Era diferente, tinha um aroma marcante, mudava a cada estação.
Ela podia ser frágil, mas não desistia em nenhuma tempestade.
Ela podia ser linda, mas não era vazia.
Como as outras, a cada estação, sempre muda.
Tudo muda, as flores não seriam diferentes.
Mesmo mudando a cada estação, ela não era volátil.
Era apenas de momento.
Destacava-se dentre todas as flores, mas não era única por isso.
Era única porque aonde ia, deixava a imaginação voando no ar.
Seu vermelho estoneante marcava os olhos.
Ela podia ter espinhos, mas não era para ser má.
Ela podia ser vistosa, mas nunca sairia de lá.
Ela podia ser a flor mais linda que qualquer um jamais vira, mas nunca despresara as outras rosas.
Mesmo sabendo de sua tremenda importância.
Era idêntica às demais naquele imenso campo florido.
Ela não queria ser igual, era diferente na essência.
Ela era própria, era marcante.
E era tudo isso que fazia dela única.
Seu interior era divino, mas não era qualquer um que vira isso.
Simplesmente era doce.



Ah menina, se soubesses.
Se soubesses como pareces com aquela rosa.
Era a semelhança entre vocês que fazia aquela flor ser marcante.
E como ela, você sempre foi parecida com os outros, naquele extenso mundo.
Mas era diferente na essência, sempre fora.
E agora menina, por que te sentes tão solitária?
Um dia, você há de achar alguém, sim há.
Alguém que não tenha medo de segurar seus espinhos.
E esse alguém verá, que por baixo de todos aqueles espinhos,
você sempre fora a flor mais única do campo.
Acredite-me, você nunca estará só, enquanto houver alguém que perceba a sua importância.
E eu sempre estarei com você.




Amanda Ferreira


(P.S.: Será que a Jamilie entendeu?)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Inscrição no guardanapo.




E o vento levou toda a felicidade que a tempos venho nutrindo.
Levou embora, como se arrancasse doce de uma criança.
E não devolveu.
Esqueceu-se.
Garanto-te que a dor é muito maior que a de uma criança. Dói demais e não dá trégua.
Por favor, entenda o que meu coração não me deixa compreender.
E então, somente então, traga o mesmo vento que machucou minha alma, e o faça devolver meu sorriso.
Mas fique sabendo que eu sinto muito.
Não sabes quanto.

(27/11/2008 às 1:30)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Indescritível.



Ela caminhava na praia, aflita com os pensamentos, em uma luta banal contra a própria imaginação, a própria dor.
Queria gritar alto pra não afogar nas mágoas, mas por que o faria?
Caminhava entre a turbulência das ondas e a segurança da areia.
Quantas vezes já o fizera sozinha? Andando entre a emoção e a razão.
Sentou, afundou os pés na areia molhada, apreciando o vai-e-vem das ondas.
O barulhinho da praia que ela tanto gostava, causado pela fricção dos grãos de areia dourada, parecia tomar conta dos ouvidos, mas não da mente por completo.
O Sol estava se pondo, mas não conseguiria vê-lo dentre as nuvens acizentadas de chuva, e principalmente, através das lágrimas que brotavam em seus olhos.
A água caiu do céu, no entanto não levou a dor, não lavou a alma.
A agonia da espera é a pior emoção do mundo, e ela sabia disso.
Por quê? Por que o fez esperar tanto?
Medo.
E esperou a madrugada toda, sob a chuva e sob a dor, o tempo passar.
Continou sentada lá, esperando, chorando até as lágrimas secarem por si só, ou pelo menos até não sentir mais o calor das lágrimas caindo no rosto, encobertas pela prataria gélida das gotas de chuva, que também escorriam junto com as lágrimas, sobre o mesmo rosto, pelo mesmo percurso.


Um ano se passara quando aquela mesma situação ocorrera, mas ainda a tinha fresca na memória.
Ele chegou e a aqueceu.
Era tarde, mas ele chegou.
Encoberto pelas últimas sombras antes do amanhecer.
Tocou-lhe o rosto, disse-lhe que esperaria para sempre se pudesse.
"Eu te amo", soprou no vento.
Tocou-lhe os lábios docemente e fora indescritível.
Deixou-a sem palavras.
Então, o mesmo vento que o trouxe para ela, levou-o embora.


Ela ainda estava ali esperando, mas ele não viria, ela sabia.
Era a única coisa da qual estava convicta.
Não sabia dos seus sentimentos, esquecera os seus medos.
Volta, que o nosso amor está acima das coisas deste mundo.
Voltou tarde demais, ela lembrava a si mesma.
O tempo interminável.
Até que ouviu os passos, sentiu o cheiro.
Como seria tão boba?
Não enchergara um palmo adiante do nariz, não sentira nada além da própria presença.
Não chorava nada além da própria dor.
Uma sombra surgiu atrás dela.

Ele não viria; ele sempre esteve ali.


[Então, acordei.]