quarta-feira, 14 de março de 2012

Paradoxal.


Todos somos paradoxos,  
buscando o porquê da existência, 
quando a nossa real tendência 
é a nulidade.

Amanda F.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mentirosa.

Sou escritora, e, portanto, mentirosa. 
Mentirosa porque sou artista, mentirosa porque crio, mentirosa porque, simples e francamente, minto. 
Minto porque não há fronteiras na minha arte, porque as palavras não possuem pontos finais, porque despersonalizo, fantasio, crio - minto mil quimeras misantropas, mil fantasias inventadas, mil e uma noites de utopia, e mil e uma faces que não visto.
Sou escritora, e, portanto, não minto idade, não minto caráter, não minto opinião. Minto realidade. Teço-a da forma que quiser ver, da forma que quiser ser lida, e da forma que quiser ver despida.
Minto porque faço da sua realidade a minha mentira.
Minto descaradamente quem sou somente fora das palavras, fora do papel - fora das letras, canetas, e folhas rabiscadas. Minto quem sou apenas quando não escrevo, porque o que sou é um jogo de palavras andante; fantásticas palavras pulsantes que visto ao me fantasiar.
Sou escritora, e, portanto, minha única verdade é também minha maior mentira.


Amanda F.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Instantânea.

Serei sempre dessas garotas que querem fazer mais do que os 365 dias de um ano podem suportar. Vou pedir de você mais do que pode me dar, vou querer acumular mais memórias do que posso formar. Neurastênica? Vulcânica. Vou pesquisar minúcias em planos cobertos de nada, vou procurar filmes que não chegaram ao cinema, vou comprar páginas e mais páginas em branco, que jamais serão escritas. Emergencial, iminente. Vou querer tudo na hora, vou gostar e desgostar em rompantes rasgantes de tempo. Vou querer trocar, sonhar, estourar em milésimos segundos. Vou matar meus próprios sonhos para reconstruir o triplo sobre os mortos, como uma fênix cancerosa. Vou sempre planejar demais, entenda. Serei sempre como o livro interrompido cuja continuação não chegou à livraria, e nem chegará. Porque vou começar o interminável e me entendiar com o finito, o tempo todo, infinitas vezes - solúvel ao ar, diluída ao tempo. Instantânea. E quando você perceber, já terei partido, antes mesmo de chegar.

Amanda F.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Como dois estranhos.


25/4/2011 22:21:22 Eu sou no mínimo tudo o que você não pediu. E tudo o que você precisa, e não sabe.

Amanda F.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fly away.

Já moldei a mim mesma incontáveis vezes a outras pessoas mais. Já me preocupei demais por listas, e fotos, e casos, e pessoas, e festas, e ficas, e fatos. Quebrei minha redoma de vidro, garota. Já não aguentava mais invejar aos pássaros. E se 2012 não for fim do mundo, querida, acredite: é o início do meu.


Amanda F.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Se for pra ser você, corre e vem ser.

"Vem alterar meus dias, vem fazer eles serem estranhamente mais curtos com a tua presença. Transforma tudo em risada, faz com que eu me sinta mais leve. Vem e bagunça tudo agora, faz eu me sentir boba por pensar em você. Não tenho a pretensão de te ter a vida inteira, só deveríamos ser nós agora. O amanhã é tão incerto. Mas acalma, o amanhã será o nosso agora também, o amanhã não existe! Tenho uma urgência em mim que não permite mais que a vida seja branda. Então, se for pra ser você, corre e vem ser." Tânia F.

"Se for pra ser você, corre e arrebente as portas. Quebre as janelas da minha pele, entre na minha vida, mostre que ela é sua, assim como sua sou eu, que julgava ser toda minha. Entregue a chave da minha gaiola, liberte-me, voe comigo. Se for pra ser você, não precisa chegar de cavalo branco, buquê de flores ou sorriso azul. Só me olhe, e me dê uma resposta com os olhos, se puder. Corre, e vem ser. Aliás, deixe de venha ser. Venha, e mostre que é." Amanda F.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Time machine girl.

Hoje decidi que vou deixar você me conhecer. Que vou ficar sabendo sobre você sem a sua permissão. Que vou ser transparente. Vou deixar que perceba como sou complicada e azeda, e como sou simples e doce. Mostrar meus defeitos, nos provar humanas. Sim, porque somos parecidas. Engraçado o não-amor me fazer querer conhecer você. O que aprendi, quero mostrar. O que sei, quero ensinar. Não sei, há algo em mim que tem pressa, mas, por alguma razão, esse algo em mim encontrou uma calma agora que a conheço. Acontece que eu sei que tenho tanto a aprender com você! É por ver muito de mim em você que quero permití-la ver o futuro, para, em troca, corrigir um pouco o passado.


Amanda F.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Misantropa quimera.

Há uma criatura em mim que é triste. Ela simplesmente existe e me habita.
Parece-me antiga, arrastada. Parece-me externa a mim, mas ao mesmo tempo tão intrínseca a quem sou.
Vez ou outra, minha quimera vence e me engole. Outras vezes mais, faço-a me vomitar e corro em direção à qualquer indício de vento que me faça feliz.
Mas ela nunca me deixa ir embora por completo.
Ela nunca deixa de ficar mais um pouquinho.


Amanda F.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A regra mais inconteste do Universo.


Não te preocupa, garota: A vida segue. E ela te leva junto, mesmo que pares.

Amanda F.

Olhos de água.

Era tarde da madrugada, ou cedo da manhã. Não sabia dizer ao certo. Saiu do banho e abandonou a toalha. Estava diante do espelho da forma como se pôs diante do mundo, assim que nasceu - lua. Sim, lua. As formas ditando o prateado romântico e distante, que orbita o mesmo planeta há tempo demais; as curvas ditando as faces internas, jamais lineares. Não a importava a forma - ela sabia que era nua o que muitos não são vestidos (havia escrito algo a respeito, aliás, em algum de seus cadernos escondidos, de capa monocromática, onde mantinha os textos longe de outros mundos). Não interessava. Nem o cabelo encharcado do banho, pingando gotas lentas sobre a costa, nem os braços caídos, nem as formas de lua. Não a importava. Diante do espelho, fitava os olhos.
Por um instante, parecia não ter notado os próprios olhos há séculos. Eram grandes, escuros; tinham os cílios irregulares, longos, curvados - como as faces internas, como o quadro todo. Não havia notado - eram doces, cansados. Fitou os próprios olhos tempo demais, de modo a enxergá-los. Sorriu. Pensou em como era só - na mania misantropa de ser só. Com olhos sós. Parou de sorrir. Eram olhos de água, tão densos, profundos, transbordantes - transbordavam um medo engraçado.
Fechou os olhos. Escondeu os oceanos. Tinha medo de formar uma expedição e se perder neles...

Medo de jamais encontrar alguém disposto a mergulhar.


Amanda F.