Todos somos paradoxos,
buscando o porquê da existência,
quando a nossa real tendência
é a nulidade.
Amanda F.
Amanda F.
Já moldei a mim mesma incontáveis vezes a outras pessoas mais. Já me preocupei demais por listas, e fotos, e casos, e pessoas, e festas, e ficas, e fatos. Quebrei minha redoma de vidro, garota. Já não aguentava mais invejar aos pássaros. E se 2012 não for fim do mundo, querida, acredite: é o início do meu.
Hoje decidi que vou deixar você me conhecer. Que vou ficar sabendo sobre você sem a sua permissão. Que vou ser transparente. Vou deixar que perceba como sou complicada e azeda, e como sou simples e doce. Mostrar meus defeitos, nos provar humanas. Sim, porque somos parecidas. Engraçado o não-amor me fazer querer conhecer você. O que aprendi, quero mostrar. O que sei, quero ensinar. Não sei, há algo em mim que tem pressa, mas, por alguma razão, esse algo em mim encontrou uma calma agora que a conheço. Acontece que eu sei que tenho tanto a aprender com você! É por ver muito de mim em você que quero permití-la ver o futuro, para, em troca, corrigir um pouco o passado.
Há uma criatura em mim que é triste. Ela simplesmente existe e me habita.
Era tarde da madrugada, ou cedo da manhã. Não sabia dizer ao certo. Saiu do banho e abandonou a toalha. Estava diante do espelho da forma como se pôs diante do mundo, assim que nasceu - lua. Sim, lua. As formas ditando o prateado romântico e distante, que orbita o mesmo planeta há tempo demais; as curvas ditando as faces internas, jamais lineares. Não a importava a forma - ela sabia que era nua o que muitos não são vestidos (havia escrito algo a respeito, aliás, em algum de seus cadernos escondidos, de capa monocromática, onde mantinha os textos longe de outros mundos). Não interessava. Nem o cabelo encharcado do banho, pingando gotas lentas sobre a costa, nem os braços caídos, nem as formas de lua. Não a importava. Diante do espelho, fitava os olhos.