segunda-feira, 7 de março de 2011

Doce deletério.

Não é pra mim. Tua voz não é pra mim. Teu tom, tua pele, teu cheiro, teus gostos, tuas faces, teus sorrisos, tua moral - tuas luas não são pra mim.
Não é meu, nunca será. É amoral. É meu doce preferido da doceria, fundindo o teu exterior doce de açúcar cristalizado ao sabor ardente do lícor ao fundo. Me destrói. Teu cheiro, teu toque, teu ar, tua fome. Me corrói e me corrompe.
Não é justo, não é correto, e sem pedidos me foi entregue. Me perdi na entrega vil. Adoeci. É doce ilusão - é lindo e feio. É perfeito na dança lúdica. Não se interessa e me faz de interesse, duplamente e de forma única. Permanece lícito na Constituição. Não há droga mais viciante ou veneno mais puro. Não há prazer mais puto ou solidão mais conjugal.
Não há desasossego mais bestial: É o sono que some e o sonho que funde-se da desesperança de dormir - cai em mundos inconstantes e em tempestades em que se faz ciclone.
Minha paixão filha-da-puta.
Doce deletério.
Se eu pudesse te arrancaria de mim - mas meu desejo oculto é te engolir assim.

Amanda F.

Um comentário: