domingo, 24 de janeiro de 2010

Just a little bit more of sugar.




Congele o seu tempo. Ponha duas colheres de açúcar e leve à banho Maria
Há algum tempo, aderi a uma tendência de ouvir pessoas falando sobre perdas amorosas, e romances estranhos. Havia metido em minha mente que nada era exatamente duradouro, e admiti estar parcialmente certa a ideia dos covardes de que "foi bom enquanto durou". Passei, então, algum tempo fingindo às pessoas certas que eu não compreendia, de fato, a perda delas, e que, talvez, era só isso que eu devesse fazer: simplesmente fingir que não transborda realmente sobre mim a dor que elas sentem, que eu não sei o que está se passando, e então, com o tempo, talvez tudo fosse ficar bem de novo para elas. Talvez essas mesmas pessoas se convencessem de que eu não percebera, ou até mesmo elas cheguem até mim para falar sobre isso algum dia, como uma confissão ultrassecreta, que na verdade é só mais uma válcula de escape para o sofrimento delas mesmas - porque eu, na verdade, sempre soubera.
Acontece que, como uma utopia invisível, um código secreto ou um suspiro enterrado fundo no peito, a verdade é que esta ideia toda é uma simples farsa criada de modo a nos fazer sentir melhor: Não há dor e não há tempo, não há felicidade e não há amor, que possam fazer curar uma coisa tão forte, e tão inesperada, quanto a simples perda de alguém amado.
E então toda aquela lábia frustrante de ser forte parece ter todo um sentido diferente. Basta ser forte, porque sempre vamos perder alguém que amamos, e amor, ah!, amor não é o suficiente para manter qualquer coisa que seja eterna. Só porque você ama alguém, não quer dizer que isso bastava para que essa pessoa ficasse ali, sempre. E é a partir deste momento que devemos ser fortes - que é na verdade, fingir sermos menos fracos - para esperar algo que é inevitável na vida; ser fortes para fingir que aguentamos não ter mais a pessoa que tanto amamos.
Mas no fundo, nós só somos pele, carcaça. Nós andamos, falamos, comemos, transamos, temos filhos, aprendemos, fazemos coisas que se aproximem de uma vida, e mesmo assim, quase um século, nunca é tempo suficiente para que saibamos viver. E o que somos nós? Apenas o impulso de fazer algo grandioso não fará de nós mais do que nós somos, não fará de nós mais do que matéria. Não fará de nós pessoas diferentes, só parte de uma minoria que fez algo importante...mas que, como todos os outros, perdeu pessoas que amava, amou outras, e morreu no fim. A inevitável dor e a inevitável perda, chega até para os mais grandiosos.
A partir dai, gostaria de parar o tempo. Gostaria de ter apreciado cada momento melhor do que o que eu tinha apreciado com as pessoas que vou perder, e com as pessoas que perdi. Mas "aproveitar mais" é tão mais prático de se dizer na teoria.
Portanto, gostaria que tudo fosse tão fácil quanto os pensamentos filosóficos e os conselhos passados dizem ser. Gostaria que todos os momentos felizes que passamos juntos fossem o suficiente para ficar tudo bem, quando acordar de manhã e lembrar que aquela pessoa não estará mais lá - mas nada disso é verdade, e os momentos felizes nos remetem a mais falta e mais dor.
A verdade mais fria, então, é que gostaria que a realidade tivesse só um pouco mais de açúcar, porque assim - só talvez - não nos afogássemos tão amargamente.


Mexa calmamente, e espere até que o açúcar penetre.


Amanda F.

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