Se tu soubesses que sussurro baixinho aos sete ventos, quase todos os dias, para que o acaso te guarde bem. Que peço à noite que fiques feliz, que tenhas amor, que encontres alguém que te proteja como um dia eu protegi, e que te queira bem, como ainda te quero. Alguém que não decepciones nunca, e que nunca te decepcione. Se tu soubesses como sinto muito que os dias andem tão vorazes, que nunca tive gana ou coragem para parar meu tempo, e te entregar um final ou uma resolução qualquer, ou para te explicar que parei de falar contigo para não me machucar e para não criar um machucado a mais no teu peito, no intuito de que encontres qualquer motivo fútil que poderia explicar a minha ida - para que nunca tenhas de ouvir de mim o que sei, ou as verdades que guardei para mim. Mas que, mesmo assim, ainda te quero bem.
Desejo a ti colo, amor, carinho - todas as coisas que sei que procuras em todo mundo, e que mereces - já disse tantas vezes - porque antes de tudo tens alegria na alma, na cara, no raio-x, acompanhada de um dos sorrisos mais bonitos do mundo. Às vezes, queria ser dessas pessoas que não se desiludem por qualquer coisa, que não perdem a confiança por qualquer razão, que não entristecem em qualquer noite de quarta-feira, engolida e digerida por toda a saudade do mundo - uma dessas pessoas que conseguem seguir em frente da mesma forma, ignorando uma curva brusca no caminho. Apesar de tudo, queria que soubesses que todos os teus segredos ainda estão seguros comigo, porque não os disse a ninguém.
Por fim - se ele houver - quero te dedicar essa prosa de dar adeus, que escorre saudade a cada curva, que foi escrita toda alma e coração, por todos os dias que só tu estiveste lá, por todo o amor que cabia dentro do teu abraço, por todas os risos que só mostrava a ti. Então tatuo em mim, a partir de agora, aquele que conheci, e me faço, desde já, alguém que tu costumavas conhecer. Dedico a ti essa prosa: sem foto, sem flores, sem nada. Só adeus.
Amanda F.







