terça-feira, 29 de novembro de 2011

9 de outubro de 2010.

Não foi culpa sua.
Foram as palavras que não compartilhamos entre nós, as lágrimas despejadas separadamente, a má interpretação, o contexto errado. Foram as brigas internas, as dependências sutis, embora interpessoais, os abraços, espaços e tempos que não compartilhamos. Foi o mau humor, o não-momento, o estresse, os gritos abafados na garganta. Foram os nós no estômago, as conversas adiadas, os fantasmas dentro do armário. Foram as fotos que não foram batidas, o sentimento que não foi revelado, a falta de cores nos dias. Foi a falsa tentativa de ser feliz. Foi a má interpretação das conversas. Foi o quase amor, o quase momento, o quase carinho. Foram as distâncias que não se recuperam, foi o tempo que não volta. Foi a crença de que tudo se reconstituiria, foi o imperfeito e o falso.
Não foi culpa minha.
Foi, e permanece sendo, culpa nossa.


Amanda F.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Être bien dans sa peau.

Eu amo não ter a necessidade de provar nada a alguém, ter o pensamento elevado, devorar filosofia, gostar dos detalhes, notar os relances, desenhar mapas das pessoas; ouvir música e dançar sozinha. Amo essa liberdade de ter uma sede voraz de quase nada, de querer engolir o mar, de ser tão eu sob palavras - de não ser uma criatura óbvia, e ao mesmo tempo ser tão simples.
Eu amo ouvir histórias, ter paixão pelas coisas, explodir-me às terças-feiras banais, ser tão incodificável, não tomar nunca um aspecto linear, e sempre pressionar as páginas com linhas e expressões redondas, complexas, multiformes; conhecer lugares, provar novos sabores - amo ainda mais se esse lugar novo for o coração de alguém.
Eu amo a arte - todas as artes; tudo que se torna expressão. E a ciência, o conhecimento, as estrelas, os paradigmas, o Sol, a dinâmica do Universo, as leis da natureza; a visão científica, real e tangível das coisas (embora fatalmente romântica, admitidamente sentimental e dotada de uma necessidade quase física de ajudar e cuidar dos demais).
Eu amo a sabedoria! Quero devorar o conhecimento, viver cada dia como se fosse o primeiro, e não o último. Que bobagem viver o último! Eu sou adepta do fascínio infantil de amar o começo, desenhar cada traço com as pontas dos dedos, e possuir um amor cego pelas perguntas.
Eu amo viajar, transcender a mim - não encontrar, jamais encontrar, em minha própria carne um limite ao mundo exterior - eu sou infinito pele adentro, e mundo afora.
Eu amo ser diferente de muita gente - e isso nunca me fez, ou fará, melhor do que ninguém. Apenas me fez ter o que de melhor poderia pedir a mim: o prazer de vestir tão bem a própria pele.


Amanda F.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Menina estranha.


Menina estranha, de 8 ou 10 elevado a vigésima segunda potência. Sofre dramas mexicanos, arranja umas paixões de aluguel, não precisa de muito para sonhar alto, vive fechando os olhos para beijar estrelas. Triste? Todo mundo é. Feliz? Sempre que pode ser. Depressiva de morte em fim de novela, divertida de palhaço em começo de circo. Não sabe o que é pouco, odeia amar pela metade. Se for pra chamar a atenção, quer o centro, se não for, quer a invisibilidade. Tem uns ápices de morrer de rir chorando, ou de viver chorando de rir, quase sempre, o tempo todo. Segurança? Tem um porto-seguro ambulante, mas se sente insegura em qualquer lugar - sem chão, daqueles fundos de poço intermináveis. Quer correr, andar, pular, voar - até alcançar aquele abraço que é o melhor lugar do mundo. É pra ontem, e, se for pra deixar pra mais tarde, é pra nunca. Supernova ambulante repleta de brilho e energia em excesso, com os ponteiros contados para a explosão. Odeia estar no ponto intermediário da vida, quer o futuro no presente, e o passado arquivado, para ver com um balde de pipoca, uma caixa de lenços e muita melação, daquelas dignas de barras e mais barras de chocolate. Menina estranha - adora ficar de cabeça pra baixo, e teve que aprender a viver de cabeça pra cima.

Amanda F.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Acredita.

E quando eu te disser que não aguento mais, não me acredita, tá? Quando eu te disser que a estrada está muito curvilínea, que os degraus da escada estão muito escorregadios, que o fardo que carrego nas costas está pesado demais pra suportar - não acredita em mim. Quando eu disser que o mundo inteiro agride, que o passado que engoli ainda grita, que aqui dentro está tudo doendo muito e está tudo muito seco - não me acredita. Quando eu disser, e vou dizer, que não vale a pena, que não seguirei em frente, que perdi tantas pessoas lindas que queria tanto que fossem próximas a mim, que não dá pra continuar se sentindo tão sozinha nesse mundo tão cheio - ainda assim, não me acredita.
Não é que eu esteja mentindo, porque estarei, de fato, falando a verdade arranhada do peito. Mas não me acredita mesmo assim, porque eu preciso de alguém que acredite em mim, e que diga que eu aguento, que me mostre nos olhos que confia que eu ainda possa seguir em frente, para que eu possa acreditar também. Por isso eu te peço: quando te disser que eu não aguento mais - por favor - não me acredita.

Amanda F.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

21.08.2011

Minha vontade de acreditar no impossível era muito maior que a minha descrença. E foi aí que me fundi de amor e ódio, esperando, o tempo todo, o impossível chegar.

Amanda F.

Sob a maquiagem.


Por mais que me cubra de veludo e seda, diamante e ouro, perfume e rosas - ainda cheiro à ferida aberta, ainda vivo a fratura exposta.
(23:07 - 24/08/2011)

Amanda F.

sábado, 27 de agosto de 2011

Respire fundo.

Começo a achar que estou realizando autofagia de tudo.
Não consigo pedir ajuda - eu não sei pedir ajuda. E eu não sei ser ajudada, mesmo que fizesse meu letreiro de SOS e tocasse fogo nele, tocasse flúor nele, tocasse sangue nele - troco os pés pelas mãos e tropeço nas esquinas de mim mesma, sempre que alguém tenta ajudar. Eu sinto como se estivesse destruindo a mim mesma e afundando o corpo na alma o tempo todo, e estou tão cansada. Tão cansada. Ninguém tem noção do quão cansado meu corpo está. Pergunto-me como algo tão psicológico se tornou tão físico, porque dói tanto, e arde tanto, o tempo todo. E concentração, e silêncio, e uma música um pouco mais lenta - são coisas que não dá pra aguentar. Medir os dias, os sorrisos e as notícias; medir as pessoas, as gracinhas e as baladas lúdicas; medir os estudos, os futuros e as prioridades - não consigo fazer marcação alguma fazer sentido, ou ser ao menos racional. Meu medidor quebrou e eu vejo tudo com as mesmas medidas gris - é tudo igual, dá no mesmo, deixo pra mais tarde; deixa o despertador não me despertar hoje, está bem?

Amanda F.

sábado, 25 de junho de 2011

Na areia movediça com a fúria de titã.

Prometi por tantas vezes a mim mesma que você não seria mais capaz de me fazer sentir estúpida. Não de novo. Cheguei a perder a mim mesma em você, e fiz da minha alma sua morada, sem nunca ter sequer o convidado a entrar...Não sei por quantas vezes mais serei capaz de passar a perna em mim mesma, por sua causa. Não sei o que o faz ter essa habilidade absurda de me derrubar, mas ainda tropeço em minhas esquinas sempre que o vejo, fingindo não ver. Você é capaz de me fazer explodir só de ouvir seu nome, garoto, e isso me enfurece as veias. Uma fúria titânica. Porque julgava que já havia me atirado em seu abismo e me partido no chão. Porque estava certa de que já tinha colhido os meus pedaços e renascido fênix do seu fogo. Porque estava certa de que a dor da queda já tinha me tornado mais forte, e que seria impossível cair de novo no seu chão - no mesmo chão.
Mas percebo, dia após dia, que você ainda é capaz de afundar o solo sob meus pés, magnífico, como areia movediça.

Amanda F.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Time is passing by.

Eu acho que tinha esquecido umas coisas bem bobas sobre mim mesma.
Havia esquecido como é incrível correr. O quanto eu gosto de viajar. O quão grande é a minha paixão por músicas, e memórias, e fotos, e textos, e fatos. O quanto eu detesto quando as pessoas ficam reclamando sobre algo que eu faço, ou deixo de fazer. Ou o quanto eu gosto de ficar vendo TV sozinha de madrugada, sem necessariamente assistir ao que está passando, só pelo prazer de fazer do cômodo o meu cômodo.
Havia esquecido que sou tão boba. Que tenho uns ápices de alegria seguidos por espasmos de tristeza. Que eu gosto demais do barulho da chuva, da rede da sala, do ruído do ar condicionado, do cheiro do corpo depois do banho quente, do toque da sola dos pés no chão frio do quarto, segundos antes de enfiá-los no cobertor quentinho.
Eu sinto que deixei passar umas coisas, e, veja só, é junho.
Não me lembro de fazer nada, e me pergunto: Como é que eu tenho tão pouco tempo pra tudo?


Amanda F.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nostalgia.

Há uma coisa muito bonita no amor que eu dei a você. Uma singeleza partida de antigos beijos que pulsavam e braços que acalmavam. Era tão de verdade que parece mentira dizer isso agora. Não tem motivo, só recordei de umas coisas suas hoje. Acho que quando você esquece uma pessoa, você lembra dos defeitos dela. Você enumera as virtudes e personifica os defeitos. Não somos os mesmos, e seus defeitos se tornaram mais evidentes, mas não posso deixar de dizer que lembro das suas virtudes. Era bonito olhar pra você em tardes quentes e ter o conforto de um beijo que eu sabia que poderia ter a qualquer momento, ouvir você sorrir e ser o motivo do sorriso. Era divertido ter um amigo amante. Observando aquele tempo agora, posso dizer que é engraçado como as pessoas e as situações mudam. Não, amor, não sobreviveríamos ao tempo. Não amava mais, não amo mais, não amaria mais. Mas amei e guardo numa caixa cintilante a pessoa que você era, a pessoa que amei. Sei que vou tomar sorvete numa tarde brilhante, observar a rua movimentada e lembrar do quanto era bom ter você me olhando de volta, ao meu lado, sem dizer nada que eu já não soubesse, ou ouvir nada que do que já sabia, simplesmente porque era divertido sermos nós.

Amanda F.