sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Menina estranha.


Menina estranha, de 8 ou 10 elevado a vigésima segunda potência. Sofre dramas mexicanos, arranja umas paixões de aluguel, não precisa de muito para sonhar alto, vive fechando os olhos para beijar estrelas. Triste? Todo mundo é. Feliz? Sempre que pode ser. Depressiva de morte em fim de novela, divertida de palhaço em começo de circo. Não sabe o que é pouco, odeia amar pela metade. Se for pra chamar a atenção, quer o centro, se não for, quer a invisibilidade. Tem uns ápices de morrer de rir chorando, ou de viver chorando de rir, quase sempre, o tempo todo. Segurança? Tem um porto-seguro ambulante, mas se sente insegura em qualquer lugar - sem chão, daqueles fundos de poço intermináveis. Quer correr, andar, pular, voar - até alcançar aquele abraço que é o melhor lugar do mundo. É pra ontem, e, se for pra deixar pra mais tarde, é pra nunca. Supernova ambulante repleta de brilho e energia em excesso, com os ponteiros contados para a explosão. Odeia estar no ponto intermediário da vida, quer o futuro no presente, e o passado arquivado, para ver com um balde de pipoca, uma caixa de lenços e muita melação, daquelas dignas de barras e mais barras de chocolate. Menina estranha - adora ficar de cabeça pra baixo, e teve que aprender a viver de cabeça pra cima.

Amanda F.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Acredita.

E quando eu te disser que não aguento mais, não me acredita, tá? Quando eu te disser que a estrada está muito curvilínea, que os degraus da escada estão muito escorregadios, que o fardo que carrego nas costas está pesado demais pra suportar - não acredita em mim. Quando eu disser que o mundo inteiro agride, que o passado que engoli ainda grita, que aqui dentro está tudo doendo muito e está tudo muito seco - não me acredita. Quando eu disser, e vou dizer, que não vale a pena, que não seguirei em frente, que perdi tantas pessoas lindas que queria tanto que fossem próximas a mim, que não dá pra continuar se sentindo tão sozinha nesse mundo tão cheio - ainda assim, não me acredita.
Não é que eu esteja mentindo, porque estarei, de fato, falando a verdade arranhada do peito. Mas não me acredita mesmo assim, porque eu preciso de alguém que acredite em mim, e que diga que eu aguento, que me mostre nos olhos que confia que eu ainda possa seguir em frente, para que eu possa acreditar também. Por isso eu te peço: quando te disser que eu não aguento mais - por favor - não me acredita.

Amanda F.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

21.08.2011

Minha vontade de acreditar no impossível era muito maior que a minha descrença. E foi aí que me fundi de amor e ódio, esperando, o tempo todo, o impossível chegar.

Amanda F.

Sob a maquiagem.


Por mais que me cubra de veludo e seda, diamante e ouro, perfume e rosas - ainda cheiro à ferida aberta, ainda vivo a fratura exposta.
(23:07 - 24/08/2011)

Amanda F.

sábado, 27 de agosto de 2011

Respire fundo.

Começo a achar que estou realizando autofagia de tudo.
Não consigo pedir ajuda - eu não sei pedir ajuda. E eu não sei ser ajudada, mesmo que fizesse meu letreiro de SOS e tocasse fogo nele, tocasse flúor nele, tocasse sangue nele - troco os pés pelas mãos e tropeço nas esquinas de mim mesma, sempre que alguém tenta ajudar. Eu sinto como se estivesse destruindo a mim mesma e afundando o corpo na alma o tempo todo, e estou tão cansada. Tão cansada. Ninguém tem noção do quão cansado meu corpo está. Pergunto-me como algo tão psicológico se tornou tão físico, porque dói tanto, e arde tanto, o tempo todo. E concentração, e silêncio, e uma música um pouco mais lenta - são coisas que não dá pra aguentar. Medir os dias, os sorrisos e as notícias; medir as pessoas, as gracinhas e as baladas lúdicas; medir os estudos, os futuros e as prioridades - não consigo fazer marcação alguma fazer sentido, ou ser ao menos racional. Meu medidor quebrou e eu vejo tudo com as mesmas medidas gris - é tudo igual, dá no mesmo, deixo pra mais tarde; deixa o despertador não me despertar hoje, está bem?

Amanda F.

sábado, 25 de junho de 2011

Na areia movediça com a fúria de titã.

Prometi por tantas vezes a mim mesma que você não seria mais capaz de me fazer sentir estúpida. Não de novo. Cheguei a perder a mim mesma em você, e fiz da minha alma sua morada, sem nunca ter sequer o convidado a entrar...Não sei por quantas vezes mais serei capaz de passar a perna em mim mesma, por sua causa. Não sei o que o faz ter essa habilidade absurda de me derrubar, mas ainda tropeço em minhas esquinas sempre que o vejo, fingindo não ver. Você é capaz de me fazer explodir só de ouvir seu nome, garoto, e isso me enfurece as veias. Uma fúria titânica. Porque julgava que já havia me atirado em seu abismo e me partido no chão. Porque estava certa de que já tinha colhido os meus pedaços e renascido fênix do seu fogo. Porque estava certa de que a dor da queda já tinha me tornado mais forte, e que seria impossível cair de novo no seu chão - no mesmo chão.
Mas percebo, dia após dia, que você ainda é capaz de afundar o solo sob meus pés, magnífico, como areia movediça.

Amanda F.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Time is passing by.

Eu acho que tinha esquecido umas coisas bem bobas sobre mim mesma.
Havia esquecido como é incrível correr. O quanto eu gosto de viajar. O quão grande é a minha paixão por músicas, e memórias, e fotos, e textos, e fatos. O quanto eu detesto quando as pessoas ficam reclamando sobre algo que eu faço, ou deixo de fazer. Ou o quanto eu gosto de ficar vendo TV sozinha de madrugada, sem necessariamente assistir ao que está passando, só pelo prazer de fazer do cômodo o meu cômodo.
Havia esquecido que sou tão boba. Que tenho uns ápices de alegria seguidos por espasmos de tristeza. Que eu gosto demais do barulho da chuva, da rede da sala, do ruído do ar condicionado, do cheiro do corpo depois do banho quente, do toque da sola dos pés no chão frio do quarto, segundos antes de enfiá-los no cobertor quentinho.
Eu sinto que deixei passar umas coisas, e, veja só, é junho.
Não me lembro de fazer nada, e me pergunto: Como é que eu tenho tão pouco tempo pra tudo?


Amanda F.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nostalgia.

Há uma coisa muito bonita no amor que eu dei a você. Uma singeleza partida de antigos beijos que pulsavam e braços que acalmavam. Era tão de verdade que parece mentira dizer isso agora. Não tem motivo, só recordei de umas coisas suas hoje. Acho que quando você esquece uma pessoa, você lembra dos defeitos dela. Você enumera as virtudes e personifica os defeitos. Não somos os mesmos, e seus defeitos se tornaram mais evidentes, mas não posso deixar de dizer que lembro das suas virtudes. Era bonito olhar pra você em tardes quentes e ter o conforto de um beijo que eu sabia que poderia ter a qualquer momento, ouvir você sorrir e ser o motivo do sorriso. Era divertido ter um amigo amante. Observando aquele tempo agora, posso dizer que é engraçado como as pessoas e as situações mudam. Não, amor, não sobreviveríamos ao tempo. Não amava mais, não amo mais, não amaria mais. Mas amei e guardo numa caixa cintilante a pessoa que você era, a pessoa que amei. Sei que vou tomar sorvete numa tarde brilhante, observar a rua movimentada e lembrar do quanto era bom ter você me olhando de volta, ao meu lado, sem dizer nada que eu já não soubesse, ou ouvir nada que do que já sabia, simplesmente porque era divertido sermos nós.

Amanda F.

domingo, 24 de abril de 2011

Levantar o queixo e sorrir.


Teria sido tão fácil pra mim amar você.
Mas permaneço fingindo ser essa femme fatale inatingida, porque dói demais admitir que você me atingiu, que me nocauteou, que me dilacerou, que me venceu. Permaneço fingindo ser essa que segue sem um pingo de você - mesmo eu estando encharcada do seu mar, pingando você mais até do que você mesmo. É por isso mesmo, exatamente por isso, que devo estar sempre lembrando que tenho de levantar o queixo - levantar o queixo e sorrir. Só pra ser mais eu. Mesmo que cheia de você.


Amanda F.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Querer demais.

Quero morder teu sorriso, devorar tua felicidade, engolir teu amor. Quero possuir teus melhores dias, teus ciúmes, tuas manias. Quero saber de cor o que gostas, como gostas, o que sentes, o que pensas, o que alimenta tua fome, tua ira - eu quero ser o que alimenta tua vida. Quero te ter inteiro pra mim. Te fazer sorrir. Te ter entre meus abraços quando eu estiver dentre teus braços. Quero que digas que me ama, quando me olhares nos olhos. Que percebas que eu me importo, porque tu te importas. E que não importa se tu te desimportas, a qualquer hora.
Quero-te gostando de mim como eu gosto de ti, sem nenhuma necessidade de qualquer esforço, teu ou meu. Quero ter a liberdade de cuidar de ti, de te fazer cafuné e de te dizer que não havia necessidade alguma de fazer tudo o que fizeste, e que permaneces fazendo, pra que eu gostasse mais de ti, porque eu sempre te quis - porque tu me tens desde o exato instante em que disseste "oi".
E sempre quis, fingindo não querer, para que eu permanecesse minha, e não tua, sempre querendo demais.

Amanda F.