sexta-feira, 17 de junho de 2011

Time is passing by.

Eu acho que tinha esquecido umas coisas bem bobas sobre mim mesma.
Havia esquecido como é incrível correr. O quanto eu gosto de viajar. O quão grande é a minha paixão por músicas, e memórias, e fotos, e textos, e fatos. O quanto eu detesto quando as pessoas ficam reclamando sobre algo que eu faço, ou deixo de fazer. Ou o quanto eu gosto de ficar vendo TV sozinha de madrugada, sem necessariamente assistir ao que está passando, só pelo prazer de fazer do cômodo o meu cômodo.
Havia esquecido que sou tão boba. Que tenho uns ápices de alegria seguidos por espasmos de tristeza. Que eu gosto demais do barulho da chuva, da rede da sala, do ruído do ar condicionado, do cheiro do corpo depois do banho quente, do toque da sola dos pés no chão frio do quarto, segundos antes de enfiá-los no cobertor quentinho.
Eu sinto que deixei passar umas coisas, e, veja só, é junho.
Não me lembro de fazer nada, e me pergunto: Como é que eu tenho tão pouco tempo pra tudo?


Amanda F.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nostalgia.

Há uma coisa muito bonita no amor que eu dei a você. Uma singeleza partida de antigos beijos que pulsavam e braços que acalmavam. Era tão de verdade que parece mentira dizer isso agora. Não tem motivo, só recordei de umas coisas suas hoje. Acho que quando você esquece uma pessoa, você lembra dos defeitos dela. Você enumera as virtudes e personifica os defeitos. Não somos os mesmos, e seus defeitos se tornaram mais evidentes, mas não posso deixar de dizer que lembro das suas virtudes. Era bonito olhar pra você em tardes quentes e ter o conforto de um beijo que eu sabia que poderia ter a qualquer momento, ouvir você sorrir e ser o motivo do sorriso. Era divertido ter um amigo amante. Observando aquele tempo agora, posso dizer que é engraçado como as pessoas e as situações mudam. Não, amor, não sobreviveríamos ao tempo. Não amava mais, não amo mais, não amaria mais. Mas amei e guardo numa caixa cintilante a pessoa que você era, a pessoa que amei. Sei que vou tomar sorvete numa tarde brilhante, observar a rua movimentada e lembrar do quanto era bom ter você me olhando de volta, ao meu lado, sem dizer nada que eu já não soubesse, ou ouvir nada que do que já sabia, simplesmente porque era divertido sermos nós.

Amanda F.

domingo, 24 de abril de 2011

Levantar o queixo e sorrir.


Teria sido tão fácil pra mim amar você.
Mas permaneço fingindo ser essa femme fatale inatingida, porque dói demais admitir que você me atingiu, que me nocauteou, que me dilacerou, que me venceu. Permaneço fingindo ser essa que segue sem um pingo de você - mesmo eu estando encharcada do seu mar, pingando você mais até do que você mesmo. É por isso mesmo, exatamente por isso, que devo estar sempre lembrando que tenho de levantar o queixo - levantar o queixo e sorrir. Só pra ser mais eu. Mesmo que cheia de você.


Amanda F.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Querer demais.

Quero morder teu sorriso, devorar tua felicidade, engolir teu amor. Quero possuir teus melhores dias, teus ciúmes, tuas manias. Quero saber de cor o que gostas, como gostas, o que sentes, o que pensas, o que alimenta tua fome, tua ira - eu quero ser o que alimenta tua vida. Quero te ter inteiro pra mim. Te fazer sorrir. Te ter entre meus abraços quando eu estiver dentre teus braços. Quero que digas que me ama, quando me olhares nos olhos. Que percebas que eu me importo, porque tu te importas. E que não importa se tu te desimportas, a qualquer hora.
Quero-te gostando de mim como eu gosto de ti, sem nenhuma necessidade de qualquer esforço, teu ou meu. Quero ter a liberdade de cuidar de ti, de te fazer cafuné e de te dizer que não havia necessidade alguma de fazer tudo o que fizeste, e que permaneces fazendo, pra que eu gostasse mais de ti, porque eu sempre te quis - porque tu me tens desde o exato instante em que disseste "oi".
E sempre quis, fingindo não querer, para que eu permanecesse minha, e não tua, sempre querendo demais.

Amanda F.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Game is ON.


Não existe um jogo que não possa ser jogado por duas pessoas.

Amanda F.

domingo, 27 de março de 2011

Sobre saudades e memórias.


Minha maior saudade é o que não fiz.
O resto são fatos nas melhores memórias.

Amanda F.

Foto: Jamilie Souza

terça-feira, 8 de março de 2011

Sensação Invernal.

Tudo o que queria era uma noite abaixo de zero, uma lareira, e um edredom desnecessário - porque tudo o que precisaria era do calor que emava do fogo da sua pele, e do ardor do seu perfume.

Amanda F.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Doce deletério.

Não é pra mim. Tua voz não é pra mim. Teu tom, tua pele, teu cheiro, teus gostos, tuas faces, teus sorrisos, tua moral - tuas luas não são pra mim.
Não é meu, nunca será. É amoral. É meu doce preferido da doceria, fundindo o teu exterior doce de açúcar cristalizado ao sabor ardente do lícor ao fundo. Me destrói. Teu cheiro, teu toque, teu ar, tua fome. Me corrói e me corrompe.
Não é justo, não é correto, e sem pedidos me foi entregue. Me perdi na entrega vil. Adoeci. É doce ilusão - é lindo e feio. É perfeito na dança lúdica. Não se interessa e me faz de interesse, duplamente e de forma única. Permanece lícito na Constituição. Não há droga mais viciante ou veneno mais puro. Não há prazer mais puto ou solidão mais conjugal.
Não há desasossego mais bestial: É o sono que some e o sonho que funde-se da desesperança de dormir - cai em mundos inconstantes e em tempestades em que se faz ciclone.
Minha paixão filha-da-puta.
Doce deletério.
Se eu pudesse te arrancaria de mim - mas meu desejo oculto é te engolir assim.

Amanda F.

domingo, 6 de março de 2011

Filhos-da-puta Didáticos.

Nunca reformulei tanto meus conceitos e abrangi tanto minhas visões. Filhos-da-puta são a espécime mais didática da humanidade - um brinde a eles. Se não fosse por eles, não seríamos as mais filhas-das-putas das mulheres: dominaremos o fingimento, e ganharemos pela inteligência.
A arte da conquista.


Amanda F.



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

The smallest things.


Amo o jeito com o qual seu cabelo é milimetricamente bagunçado, tão organizadamente. Amo quando sorri sem motivo, e quando eu sou motivo. Amo o seu jeito moleque, sem-noção. O barulho dos seus passos, o fato de poder colocar a cabeça exatamente entre seu queixo e seu pescoço. Amo o desconforto causado pelo estômago no conforto da sua presença. Amo as pequenas coisas que são coisas suas, e que talvez ninguém mais note. Amo o fato de você não saber, mas essas pequenas coisas, que são tão suas, são tão grandes quando minhas.


Amanda F.